Fé pela Margem

Provérbios 22:1-9, 22-23; Salmo 125; Marcos 7:24-37; Tiago 2:1-10

Rev. Chrístopher Harbin, Central Baptist Church—Lowesville, VA

06 de setembro de 2009

A generosidade parece estar em desacordo com o "sonho americano" e seu enfoque em ficar à frente da manada. Não gostamos de pensar assim, mas nossa ambição nacional não é nada generosa por natureza. Talvez seja em parte porque alguns estão furiosos em fóruns de debate público, como as reuniões sobre reforma de saúde. Tenho ouvido muitas pessoas ferozes sobre preocupações de um socialismo—qual seria uma grande praga de interferência governamental sobre a individualidade. As preocupações não parecem ser tanto um conflito entre a democracia e o socialismo, mas um conflito entre a riqueza individual e riqueza social—cobiça egoísta versus generosidade para com os outros.

Isso não quer dizer que não valorizamos a generosidade. Temos muito orgulho em estimar como heróis aqueles que saem do caminho para ajudar outros em crise. Prestigiamos e valorizamos a sua generosidade. No entanto, parece ser sempre a generosidade de outros que prezamos, em vez da nossa própria. Se realmente segurássemos a generosidade em alta estima, mudaria a nossa maneira de viver, interagir e gerenciar os nossos recursos.

Tenho guiado vários serviços funerários por santos estimados pela família e amigos por seu espírito altruísta e generoso. Tenho visto a expressão melancólica nos rostos de familiares enquanto falavam sobre os valores de um ente querido como as de uma época passada. Tenho visto lágrimas inchar no recontar as ações altruístas de um ente querido com uma aparente confusão sobre o porquê de um espírito generoso. Ouvi uma reverência manifestada sobre o altruísmo heróico de tal pessoa amada. Reparei também reticência em seguir o exemplo desses entes queridos valorizados por esta mesma generosidade.

Aparentemente valorizamos abnegação e generosidade em outros, mas apenas a certo distância. O generoso e altruísta se destacar da multidão, porque seus valores são diferentes dos nossos. Eles têm encontrado e vivido por um credo que não temos aprendido, compreendido ou aceitado. Vivem de acordo a um padrão de vida que temos deixado para trás como ultrapassado, obsoleto, e difícil, em desacordo com os valores da nossa própria geração, em desacordo com o "sonho americano".

Os Provérbios de Salomão na leitura lecionária de hoje se parecem tão confusos sobre o assunto como nós—pelo menos na superfície. Parece haver aqui uma luta entre a compreensão da riqueza como bênção de Deus e compreender a riqueza como uma responsabilidade de cuidar de pessoas com menos. A passagem fala inicialmente de um nome honrado ser maior do que riqueza. Em seguida, volta a falar da riqueza como bênção do Iavé sobre aqueles que são humildes e respeitam a Iavé. Em seguida, fala da responsabilidade dos ricos para os pobres e a preocupação e cuidado de Deus pelos pobres. A riqueza pode realmente ser uma bênção, mas é uma bênção ligada à responsabilidade pelo bem-estar dos outros. A riqueza não é concebida por Deus como benção para o indivíduo ou família. É, antes, a oportunidade de ser a provisão de Deus para aqueles tirados pelo caminho da vida. É responsabilidade com um aviso: Deus despojará aqueles que ganham riqueza e poder à custa dos pobres.

Realmente não gostamos de ouvir tal parte do evangelho. Não somos apenas responsáveis por nosso próprio bem-estar. Somos responsáveis pelo bem-estar dos outros—os pobres, os batalhando, os despossuídos, e os doendo. Ao invés de escutar as direções de Deus, preferimos a mensagem da sociedade mais ampla, pelo menos enquanto às coisas estão indo bem para nós. Temos levado a sério as palavras do Invictus, "Eu sou o capitão do meu navio, eu sou o dono do meu destino!"—O mantra de que estamos no controle do nosso bem-estar e segurança financeira. Talvez seja por isso que Katrina e 11 de setembro tiveram tal impacto emocional em nossa sociedade. Eram eventos sobre o qual tínhamos pouco controle. Nossos investimentos numa infra-estrutura de segurança mostraram-se insuficientes. As vidas de muitos foram dilacerados, sem culpa própria. Vimos que a iniciativa e indústria pessoal são insuficientes para garantir a riqueza e segurança.

Como nação somos culpados da perspective de Tiago. Por si só não é surpreendente, pois os valores da nossa sociedade não são tão cristãs como muitos gostariam de acreditar. Nosso país não foi construído a partir de uma ética bíblica ou das preocupações de Jesus Cristo. Foi construído sobre as preocupações de individualismo, liberdade do controle de outros, e o negar um tributo pesado. Nossos valores não foram amor ao próximo e um espírito de generosidade, mas a acumulação de riqueza através da iniciativa pessoal.

As palavras de Tiago foram uma crítica afiada aos fundamentos do judaísmo farisaico. Ele teve a audácia de declarar que se alguém fosse culpado de uma parte da lei, era culpado do todo. Na tradição comum, um precisava apenas cumprir pouco mais da metade dos mandamentos para chegar até a Deus. Tiago seguiu Jesus em solicitar muito mais compromisso com Deus. Disse que violar uma parte da lei que nos torna malfeitores perante Deus. Se eu fosse puxado por excesso de velocidade estar usando o meu cinto de segurança e ficando na minha faixa da pista razão para não receber uma multa? Por que, então, deveria acreditar que o projeto de Deus para a minha vida não tem importância nesses pontos que acho incômodos ou incompatíveis com os meus objetivos e desejos pessoais?

Os judeus agiam como se Deus não tinha graça suficiente para todos. Eles agiam como se houvesse somente tanta provisão de Deus, e definitivamente não o suficiente para que compartilhassem com os demais. O rico fazia demonstração de generosidade no Templo, mas ignorava o pobre a caminho da sinagoga. O povo não confiava em Deus para suprir-lhes com suficiência. Procuraram maneiras de contornar os mandamentos de Deus e suas instruções para a vida. Classificaram pessoas quanto à sua dignidade e usava a generosidade como um meio de controlar a outros. Aqueles do lado de fora de suas definições de valor, ignoraram completamente.

Enquanto Jesus ensinou que tal sistema de qualificar e negligenciar pessoas era impróprio, saiu do caminho para demonstrar o alcance da graça e provisão divina. Deixou a Judéia em procura dum estrangeiro—uma gentia—na região de Tiro. Ela pediu graça. Ele deu a resposta padrão do judeu. Ela respondeu que até mesmo os cães comem migalhas debaixo da mesa. Então Jesus surpreendeu seus discípulos. Curou a filha, dizendo que a resposta era exatamente a declaração de fé que procurava. Havia graça e provisão suficiente ao alcance de Deus para atender as necessidades de todos, mesmo os cães sempre famintos debaixo da mesa. Ele não parou ali. Procurou um homem no mundo grego da região das dez cidades, curando a um sem voz alguma.

Jesus falou sobre fé e a suficiência de Deus. Não apenas falou sobre isso, porém, e continuou com ambições pessoais. Viveu e modelou a fé para a qual nos chamou. Chamou os discípulos a viver além dos limites cômodos da vida, estabelecidos pelas normas religiosas da sociedade. Chamou-os a colocar a fé à prova. Chamou-os a serem generosos com os outros, seguindo a forma e exemplo da generosidade de Deus. Desafiou-os a olhar além da confusão superficial dos provérbios de Salomão sobre a riqueza, a compreenderem a responsabilidade que vem com as bênçãos de Deus. Somos desafiados a ser generosos até em erro, começando com aqueles à margem do caminho da vida. Este é, afinal, onde a fé tem o seu início real. É quando a fé derruba o mantra da sociedade em prol do evangelho de Cristo, que começa a viver. Até então, é a fé que jogamos de lado à medida que continuamos a seguir ambições menores.

—©2009 Chrístopher B. Harbin

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