Obediência à Tradição

Deuteronômio 4:1-9; Salmo 45:1-9; Marcos 7:1-23; Tiago 1:17-27

Rev. Chrístopher B. Harbin

30 de agosto de 2009

É bem fácil dizer que servimos a Deus. O problema é que enquanto desejamos servir a Deus nos deparamos constantemente com tradições que interferem e nos confundem no reconhecer a vontade de Deus. Certas coisas são claras, mas a aplicação dos princípios entra em conflito com o viver de nossa sociedade. Sem percebermos, deixamos de lado os caminhos de Deus em preferência aos caminhos dos homens.

Israel tinha a palavra correta em sua tradição. Todo judeu aprendia de memória as palavra do Shema ("Ouve Israel, o Senhor nosso Deus é um só. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todas tuas forças"), bem como muitas outras passagens importantes da Torá. Tinham por obrigação memorizar e seguir ao pé da letra os mandamentos dessas passagens. Pelo menos após o exilo babilônico, entendiam a seriedade com a qual deviam obedecer as instruções de Iavé. Reconheciam que sua forma de viver vinculava-se à reputação de Iavé entre as nações. Seu vínculo com a própria terra era reflexão do seu compromisso religioso.

A uma voz defendia a unicidade de Iavé e sua soberania universal. Faltavam, porém, na aplicação ética e moral com a qual Iavé se preocupava. Entendia questões de força e poder, mas não as de misericórdia, justiça e graça. Amor ao próximo se restringia com ódio aos inimigos. Visavam sua posição especial como nação sem preocupar-se com o amor de Iavé a outros. Protegiam seus próprios interesses às custas de outros sem mesmo reconhecer a violência de suas escolhas—sem reconhecer a oposição entre suas tradições e a vontade de Deus.

Se tem dito que é com as pontas soltas que os homens mais frequentemente se enforcam. O povo tinha bem estabelecido as questões do senhorio e da unicidade de Deus. Enlaçavam-se, porém, com a menos trabalhada questão da prática ética do relacionar-se com os "outros" à margem da sociedade. Tinham suas rotinas religiosas estabelecidas. Iam à sinagoga pela manhã, debatiam o texto e sua interpretação enquanto trabalhavam. Memorizavam e ensinavam as interpretações aplicativas tradicionais, mas não refletiam o suficiente para ver sua responsabilidade para com os marginalizados e mais dependentes de misericórdia, graça e proteção dos poderosos e ricos.

Tiago estava bem ciente das questões práticas de uma fé viva. Compreendia que a fé fazia necessariamente uma transformação na forma com a qual nos interagimos. Falava de generosidade. Falava de frear a língua e reconhecer que a nossa ira não provém de Deus, nem promove a vontade de Deus. Falava abertamente do mal que fazemos com a boca e a violência de nossas palavras que contrariam os propósitos justos de Deus. Deus propôs em graça e amor que nos tornáramos novas criaturas, transformadas pelo seu exemplo de generosidade. Aplicava o exemplo da graça e a generosidade de Deus como princípio vital do nosso viver cotidiano. Conhecendo as palavras de Deus e as aplicações tradicionais que nos cercam não chega a transformar as nossas vidas. É no praticar e aplicar as atitudes e palavras de Deus que começamos a experimentar a sua vontade e a obediência que nos é exigida. A bênção de Deus não é para os que seguem uma tradição ou práticas religiosas. É para aqueles que vivem conforme a vontade de Deus expressa em Cristo Jesus.

Uma religiosidade que se expressa em atitudes de violência a outros é uma religiosidade vazia. Falta uma compreensão básica do evangelho e obediência real a Deus. Vimos tal atitude em notícia de um pastor da Arizona orando e desejando a morte do atual presidente norte-americano. Um membro de sua igreja tomou uma arma para dar pés ao mesmo desejo. Ambos defendiam atitudes violentas por questão de compreender que o presidente tinha atitudes violentas. Se os princípios de Deus militam contra a violência, ira e opressão, os meios e propósitos de Deus são o cuidar aos desprotegidos—aos que faltam voz e posição que os protege ante a violência de outros. Reclamando serviço a Deus, estes dois homens falharam em compreender a filosofia básica do evangelho de superar o mal com o bem, o ódio com amor. Evita-se ser manchado pelo mundo não apenas por negar tais meios na conduta própria, mas por opor-se ativamente aos propósitos de jactância e auto-justificação.

Assim, pois, veio Jesus, contrariando a prática religiosa do seu dia. Muitos observavam uma religiosidade detalhada. Seguiam muitas regras e tradições interpretativas referente à Bíblia. Tinham um sistema elaborado para evitar o pecado e a condenação. À vez, não chegavam a compreender o propósito maior da observação das instruções de Deus. Lavavam muito as mãos e as comidas para evitar uma contaminação espiritual. No entanto, não compreendiam que sua interação pessoal os condenava muito mais do que podiam as preocupações formulárias e rituais.

Procuravam maneiras de escapar ilesos sem obedecer os propósitos das instruções de Deus. Estabeleciam em suas tradições formas de evitar princípios de assumir responsabilidade pessoal pelo bem estar de outros. Protegiam seus próprios interesses e por seus regulamentos e tradições negavam os efeitos de sues atos nas vidas de outros. Invalidavam a vontade de Deus—o Deus que diziam adorar—isolando-se dos que deviam proteger e defender. Não se pode adorar sinceramente a um Deus cuja vontade e cujos propósitos um trabalha tão esforçadamente a impedir.

Diziam proteger e defender os propósitos de Deus. Seus métodos de vida e interação, no entanto, contrariavam tais propósitos. Jesus os chamou de hipócritas. Reclamavam e fingiam ser uma coisa, mas o caráter de suas ações demonstrava o vácuo de suas palavras. Obedeciam às suas tradições, mas as suas vidas ficavam longe de Deus.

As tradições aos quais se seguravam foram desenhadas a mantê-los em bons termos com Deus—incorruptos. Alcançaram fazer o oposto. Em lugar de mantê-los em bons termos com Deus, os distanciavam por ignorar à vontade e aos propósitos de Deus. Seguiam as suas tradições em vez de seguir fielmente a Deus. A sua obediência carecia de nova direção e propósito—um novo enfoque em Deus.

Depois de tudo, obediência não é a nossa palavra favorita. No cerne de nossas vidas, não queremos obedecer a ninguém. Não queremos largar o controle que desejamos ter sobre as nossas vidas, atitudes e ações. Queremos sentar atrás do volante da vida, tomando as decisões e escolhendo o nosso próprio caminho. Para mudar do nosso caminho ao caminho de Deus, precisamos primeiramente passar pelo processo humilhante de submeter as nossas vidas ante Jesus Cristo como Senhor. Não é o suficiente fazer tal em nome e em palavra. É somente possível por meio de entregar o controle de nossas vidas ao único digno de estar no controle. A obediência a tradições, herança e hábitos é raramente a mesma coisa que obediência a Cristo Jesus. Será que o servimos em sinceridade? Aqueles que servem a Deus apenas em nome e não em caráter foram os mesmos que Jesus apelou de hipócritas.

—©2009 Chrístopher B. Harbin

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