Palavras de um Viver Eterno

1 Reis 8:22-43; Salmo 84; João 6:56-69; Efésios 6:10-20

Rev. Chrístopher Harbin, Central Baptist Church—Lowesville, VA

23 de agosto de 2009

Qual é o propósito da fé? Alguns têm considerado o Apocalipse de João uma carta sobre o "final do tempo", séculos retirado dos acontecimentos do seu dia. Por que, no entanto, os crentes que sofriam intensa perseguição teriam-se incomodados em preservar e copiar algo tão irrelevante como? Havia muitas preocupações maiores que um futuro distante quando da destruição da terra. Mantiveram a carta, a leram e a divulgaram porque a acharam relevante em meio da perseguição e sofrimento sob governantes como Domiciano. O Apocalipse chamou-os a uma afirmação de fé no triunfo final d’Aquele que enfrentou a cruz e a morte e ressurgiu vitorioso sobre a violência dos inimigos de Deus. Aplicava-se à sua vida diária com Deus--fazia uma diferença na sua resposta às pressões do viver um testemunho fiel.

Numa linha semelhante, houve propósito para a construção do Templo de Salomão. Não era um símbolo do futuro. Não era símbolo do passado. Não foi homenagem etérea. Era mais do que um edifício para a valorizar e manter. Era uma afirmação da presença de Deus entre a nação de Israel. Foi um lembrete visível da promessa de Deus e da responsabilidade do povo. Iavé seria fiel à promessa, mantendo um herdeiro no trono de Davi. A promessa foi condicionada, no entanto, no povo andar fielmente nos caminhos de Deus.

O templo devia falar à nação e ao mundo além. Devia chamar todos os povos a conhecerem e servirem a Iavé em compromisso sincero. Não era sobre Deus longe lá no céu. Visava a relação existente entre Iavé e Israel. Sendo o povo de Iavé exigia seguir o padrão de vida que Iavé indicava. Podiam contar com as bênçãos de Deus, mas apenas enquanto se aderissem a Deus em serviço fiel, dia trás dia. Deus estava presente, mas não devia ser presumido. Havia um propósito em ser povo de Deus. Havia uma razão para o templo muito além de ser lugar de encontro para a comunidade de Israel. Deveria assinalar um compromisso que às vezes era difícil de se ouvir e ainda mais difícil de se cumprir. Deveria apontar as pessoas além de si mesmas, das suas paixões, e das suas preocupações para as preocupações de Deus.

Jesus veio como o templo humano do Deus Altíssimo. O evangelho de João começa por falar de Jesus como a palavra de Deus feito carne. Suas palavras, porém, nem sempre foram fáceis de se ouvir. Os discípulos reagiram mau às elas expressões de tempo em tempo. Por outro lado, seu objectivo não era satisfazer a todos. Jesus não muito se preocupava se pisasse num ego e nos sentimentos de alguém. Estava preocupado em dirigir as pessoas à verdade do evangelho e a uma vida responsável diante de Deus. Se alguém se ofendesse, podia deixar de seguí-lo em discipulado. Ainda teria, no entanto, que apresentar contas a Deus de suas vidas.

Jesus sabia que suas palavras em João 6 superficialmente soavam um tanto canibalísticas. Estava ciente de que muitos as ignorariam como idiotice. Também sabia que aqueles seriamente buscando a Deus procurariam um significado mais profundo. Exigia que olhássemos mais profundamente, fazendo um esforço para compreender e investir nossas próprias vidas em aprender as coisas e os caminhos de Deus. "As minhas palavras vos escandalizam?" Ele diria: "Vocês também querem ir embora?"

Uma resposta emocional às palavras de Jesus não altera a verdade de sua mensagem. Nossa reação não altera a realidade por detrás das suas palavras. Podemos desviar-nos de Jesus, mas ainda teremos de responder a Deus. Se queremos viver eternamente na presença de Deus, curvando as nossas vidas à presença e autoridade de Jesus como o Cristo não é opcional. Devemos viver como Jesus ensinou, ou passar a eternidade sem Deus. Depois de tudo dito e feito, este é o propósito da salvação. Somos salvos do que teríamos sido para que nos tornemos no povo que Deus planejou que fôssemos.

Paulo estruturou essa questão de fidelidade de vida de outra maneira. Falou de vestir a armadura de Deus à luz de uma guerra espiritual. Falando de uma batalha espiritual, porém, primeiramente tinha que lembrar aos Efésios que a luta real não era a que enxergavam. Lidavam com oposição e conflitos humanos. Conheciam a perseguição vindo de muitas frentes e dificultando a vida. Essa perseguição foi que obrigou Paulo a ter deixado Éfeso após uns três anos de ministério. Entendiam lutas por poder, riqueza e influência. Eram versados em táticas desleais e fraudes para alcançar uma meta. Nada disto, porém, abordava os problemas reais à mão. Eram as ferramentas erradas para a batalha errada.

A perseguição que enfrentavam tinha a ver com poder e controle. As armas que conheciam de sua experiência mundana eram impróprias para a guerra real. Deveriam deixar de lado as táticas da sociedade e empregar as armas e armaduras adequadas para questões espirituais. Enquanto se concentrassem nas questões consideradas importantes pelo mundo, estariam perdendo a batalha real—aquele que era realmente relevante e significativo. Foi só enquanto se concentrassem em realidades espirituais, nas lutas mais profundas da vida, que teriam uma chance de vitória significativa—uma que realmente faria uma diferença.

Deveriam lidar com verdade em vez da decepção—a verdade de Deus. Deveriam ficar com a justiça de Cristo, e não com práticas desleais. Deveriam vivenciar uma mensagem de paz e não de contenção. Deveriam viver com fé, ao invés de desconfiança e medo. Precisavam vestir-se com a salvação, não com o disfarce da vida sem Cristo. Deveriam erguer a presença do Espírito de Deus, e não as armas de pelejas humanas. A oração e súplica a Deus deveriam reger suas ações. Deveriam viver e agir como haviam visto Paulo fazer, sempre falando o mistério do evangelho de fé, amor, perdão e reconciliação com Deus. Deveriam enfrentar as dificuldades e os conflitos da vida da mesma forma que Jesus os havia enfrentado.

Tal qual o templo construído por Salomão destinava-se a fazer, o caráter de nossas ações devem anunciar a presença de Deus entre nós. A forma como esses crentes de Éfeso agiam e interagiam deveria retratar a presença de Jesus Cristo, vivendo em seus corações e impactando as suas vidas. Esta é a verdadeira batalha que somos chamados a travar. É a guerra na qual estamos engajados, seja ou não que reconheçamos a sua realidade e importância.

Há um ditado popular que chamamos o teste de pato. Dizemos que se um pássaro se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato. Se ele não olhar, nadar, e grasnar como um pato, no entanto, por que acreditaríamos que o fosse? As definições do termo pato militam contra a aplicação do nome para algo contrário à natureza desse pássaro.

No mesmo sentido, como crentes, devamos viver, falar e agir como Jesus Cristo—Aquele que chamamos Senhor. O propósito de viver com Cristo é convidar e refletir a presença de Deus perante o mundo que nos rodeia. Se não estamos refletindo a Cristo Jesus, como realmente podemos nos considerar cristãos? Se não nos parecemos como Jesus, falamos como Jesus, e agimos como Jesus, as nossas reivindicações são apenas palavras vazias, sem vida eterna.

—©2009 Chrístopher B. Harbin

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