O Povo Todo

Jeremías 23:1-6; Salmo 89:20-37; Marcos 6:30-34, 53-56; Efésios 2:11-22

Rev. Chrístopher Harbin, Central Baptist Church—Lowesville, VA

19 de julho de 2009

Esta semana na Pensilvânia, o racismo ergueu a cabeça. Conforme as noticias, a "cidade do amor fraterno" se viu em falta com medos raciais sobre a crianças de minorias nadando num clube. Embora os acontescimentos exatos pode-se debater, declarações foram feitas indicando medo, ansiedade e angústia sobre a presença de crianças não-brancas na piscina do clube. Crianças de creches da área que vieram a nadar sob um contrato pago foram machucadas, zangadas e extremamente desapontadas. Independentemente da renovação de um convite para voltar, os danos foram feitos. As crianças foram classificadas como inferiores, perigosas, ou inadequadas, uma classe inferior de ser humano. Tal atitude de exclusão decorre de medo e ansiedade, não conhecimento ou amor. Ela não consegue compreender o amor inclusivo de Cristo Jesus para todas as pessoas, independentemente das nossas diferenças.

O racismo e etnocentrismo não são novas questões. As conhecemos a partir de nossa história nacional. Fizeram parte de interações entre nações de todo o mundo neste século, o século passado, e desde milênios. Darfur, genocídio ruandês, extermínio hitleráneo de judeus, campos do assassinato de Pol Pot, genocídio arménio e os crimes de guerra de Charles Taylor não se destacam o suficiente nos anais da história humana. Populações americanas nativas dos E.U.A., México e Brasil sofreram tentativas de extermínio por forças invasoras. Histórias africanas, européias, asiáticas, australianas dizem o mesmo. Temos medo daqueles que são diferentes. Chocamos contra os que consideramos não serem nosso povo, diferentes ou inferiores. Queremos mantê-los à distância, longe de nossa presença.

Em momentos de estresse social ou econômico, tais tensões são mais elevadas. A economia é o que abriu caminho à ascensão de Hitler. Os judeus foram identificados como um inimigo responsável pela situação económica desastrosa na Alemanha pré-guerra. Os americanos nativos foram vistas como ameaça para o assentamento de imigrantes provenientes da Europa, para não falar da ameaça que representava para eles as forças invasoras que tomavam suas terras.

Na Jerusalém do dia de Jesus, houve um muro no pátio do templo. Tinha apenas cerca de um metro de altura e tinha várias aberturas permitir passagem. Seu objetivo, no entanto, foi de marca até onde um gentio podia ir ao entrar o mercado do templo. Qualquer podia entrar o pátio exterior, mas não além deste muro de divisão ou de separação, como Paul o chama. Até esse ponto, declarava o muro, e mais nenhum paso. Foi como os letreros "Apenas Brancos Além Deste Ponto" observados no Sul em anos passados. Havia tensões graves em torno da presença de gentios na zona do templo. O livro de Atos narra a história de um alvoroço em Jerusalém, começado quando alguém pensou erradamente que Paulo havia levado uma gentio além desse muro de separação.

Se houve agitação civil no sul dos EUA durante a década de 1960, não era muito diferente dos conflitos potenciais em torno desse muro no templo em Jerusalém. Em 70 dC, um general romano marchou pelo muro, entrou no templo e fez um sacrifício sobre o altar no Santo dos Santos. Os judeus responderam por incendiar a Jerusalém e destruir o templo. A presença de um gentio e ações associadas de sacrificar um porco foram considerados uma profanação completa para eles. Na sua opinião, Deus já não podia habitar o templo. Em decorrência, Jerusalém desapareceu do mapa durante séculos.

Bem, foi diferente em certo sentido. Os judeus sentiam ter motivos religiosos para a evitar a entrada de gentios no templo. Eles compreendíam a Iavé mandar uma separação dos demais povos do mundo. Como evidenciado no evangelho de Jesus Cristo, porém, esta foi uma compreensão deficiente de Deus. Isaías, Elias e outros tinham falado de Deus amar todas as nações, mas o povo não tinha entendido a vontade de Iavé em estender graça a todos os povos. Eles eram enfocados demais na sua própria posição, mérito e estado ante Iavé como um povo especial. Em verdade, estavam usando o nome de Deus para defender preocupações que não eram nem em parte de Deus.

Durante o meu primeiro semestre de volta nos EUA para faculdade, pensei que o racismo no Mississippi fora história antiga. Convidei um amigo da Serra Leoa para ir à igreja comigo. Eu não tinha idéia do conflito que estava fomentando. Um comentário casual a um amigo sobre convidar Abraão à igreja provocou uma chamada telefónica para um diácono, um encontro dos diáconos, bem como a decisão por vários deles para encontrar Abraão na porta e levá-lo a outra igreja na vizinhança.

Fiquei atónito. Eu não podia compreender como esta igreja podia levantar ofertas para enviar missionários com o evangelho de Jesus Cristo à África, sem permitirem que um Africano entrasse pela porta do mesmo santuário de onde os fundos foram levantadas. Por um lado, pagaram serviço de lábios ao amor de Deus para todos os povos. Por outro lado, foram excluíam aqueles que eram diferente da comunhão no amor de Deus. O medo de pessoas que tinham aprendido a considerar inferiores não lhes permitia abrir as portas do santuário para fornecer a Abraão um lugar para ouvir e aprender o evangelho que alegavam aceitar. Preocupações sociais ultrapassavam as preocupações de Deus e as palavras de João sobre o amor de Deus pelo mundo inteiro.

É o mesmo assunto que tem alimentado violência contra imigrantes hispanos nos últimos anos. É a mesma preocupação que deu impulso para construir uma cerca ao longo da fronteira dos E.U. com o México. É a mesma incerteza que impele resentimento mexicano contra imigrantes da Guatemala e El Salvador. Quando ficamos ansiosos e inseguros, reagimos à procura de um inimigo. Tal como Hitler na Alemanha, queremos depositar as nossas inseguranças sobre algum grupo que seja diferente. Os pintamos como responsáveis por nossas preocupações, ansiedades e incertezas.

Inseguros em sua posição frente a Iavé e da provisão de Iavé baixo a presença romana, os judeus do dia de Jesus jogavam a culpa de seu medo sobre os gentios. Incertezas em decorrência do Movimento de Direitos Civis no Mississippi e a mudança no bairro da sua igreja, incendiaram ansiedades frente a seus vizinhos e um estudante da Serra Leoa, tirando sua atenção do amor de Deus e sua fiel provisão.

Quando Jesus ensinou e alimentado a multidão, ele cuidava de todos, sem excepção. Não fazia distinção entre dignos e indignos, aceitáveis e inaceitáveis. Sua compaixão era por um e por todos. Jeremias compreendeu que Iavé é a nossa retidão. Nossa posição diante de Deus não é impactado pela herança, tradição, genealogia ou outras considerações humanas. Trata-se de Deus ser a nossa justiça. Paul declarou que em Cristo todos somos trazidos pertos de Deus. Já não há mais valia para um muro de separação, pois somos chamados a reconciliação em um só corpo, independente das nossas diferenças.

Não é fácil viver como um só corpo. Não é fácil confiar em Deus quando vemos tão facilmente as nossas diferenças. Não é fácil ir além de nossa educação que muitas vezes nos impele a distinguir entre que é ou não aceitável. Não é fácil abraçar o outro, mas esse é o evangelho. Em Cristo somo reconciliados em um corpo a Deus. Devemos viver como um corpo e não apenas os poucos iguais a nós, mas toda multidão. Estamos prontos a largar nossos receios, deixando o amor de Cristo tocar a todos?

—©2009 Chrístopher B. Harbin

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